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CELEBRAÇÃO MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO
DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

"Voltar a Deus é retornar ao abraço do Pai"

Sexta-feira, 20 de março de 2020

[Multimídia]


 

Introdução à Santa Missa

Ontem recebi a mensagem de um sacerdote bergamasco, pedindo para rezar pelos médicos de Bérgamo, Treviglio, Bréscia e Cremona, que trabalham no limite das suas forças; eles dão as suas próprias vidas para ajudar os doentes, para salvar a vida dos outros. E oremos também pelas autoridades; para elas não é fácil gerir este momento, e muitas vezes sofrem devido a incompreensões. Neste momento médicos, pessoal hospitalar e voluntários da saúde ou autoridades são colunas que nos ajudam a seguir em frente e nos defendem nesta crise. Rezemos por eles.

Homilia

Quando leio ou ouço esta passagem do profeta Oseias, que ouvimos na Primeira Leitura: “Volta, Israel, para o Senhor, teu Deus”, quando a ouço, lembro-me de uma canção que há 75 anos Carlo Buti cantava e que nas famílias italianas em Buenos Aires as pessoas ouviam com grande prazer: “Volta para o teu pai. Ele ainda cantará para ti a canção de ninar”. Volta: mas é o teu pai que te diz para voltar. Deus é o teu pai, não é o juiz, é o teu pai: “Volta para casa, escuta, vem”.

E esta recordação – eu era menino – leva-me imediatamente ao pai do capítulo 15 de Lucas, àquele pai que diz: “Estava ainda longe, quando o seu pai o viu”, aquele filho que tinha ido embora com todo o dinheiro e que o desperdiçou. Mas, se o vê de longe, é porque esperava por ele. Subia ao terraço – quantas vezes por dia! – por dias e dias, meses, quem sabe por anos, esperando o filho. Vê-o de longe. Volta para o teu pai, volta para o teu pai. Ele espera por ti. É a ternura de Deus que nos fala, especialmente na Quaresma. É o momento de voltar a nós mesmos e de recordar o Pai, de voltar para ele.

“Não, pai, tenho vergonha de voltar porque... Pai, tu sabes que fiz muitas coisas, agi muito mal...”. O que o Senhor diz? “Volta, curar-te-ei da tua infidelidade, amar-te-ei profundamente, porque a minha ira se afastou. Serei como orvalho, florescerás como um lírio e lançarás raízes como uma árvore do Líbano”. Volta para o teu pai que espera por ti. O Deus da ternura há de curar-nos das numerosas feridas da vida e das muitas coisas ruins que fizemos. Cada um fez as suas!

Mas pensemos nisto: voltar para Deus é retornar ao abraço do pai. E pensemos na outra promessa que Isaías faz: “Se os vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve”. Ele é capaz de nos transformar, Ele é capaz de mudar o coração, mas temos que dar o primeiro passo: voltar. Não significa ir para Deus, não: é voltar para casa.

E a Quaresma tem sempre por objetivo esta conversão do coração que, segundo o costume cristão, ganha forma no Sacramento da Confissão. É o momento para - não sei se [para] “acertar as contas”, não gosto disto - deixar que Deus nos branqueie, nos purificque, nos abrace.

Sei que muitos de vós, na Páscoa, se confessarão para se encontrar com Deus. Mas hoje muitos me diriam: “Padre, onde posso encontrar um sacerdote, um confessor, dado que não podemos sair de casa? E quero fazer as pazes com o Senhor, quero que Ele me abrace, que o meu Pai me abrace... Como o posso fazer, se não encontro um sacerdote?”. Faz o que o diz Catecismo. É muito claro: se não encontrares um sacerdote para te confessares, fala com Deus, Ele é o teu Pai, e diz-lhe a verdade: “Senhor, fiz isto, isso, aquilo... Perdoai-me”; pede perdão a Ele de todo o coração, com o Ato de Contrição, e promete-lhe: “Confessar-me-ei depois, mas perdoai-me agora”. E voltarás imediatamente à graça de Deus. Tu mesmo podes aproximar-te – como nos ensina o Catecismo – do perdão de Deus, se não puderes encontrar-se com um sacerdote. Mas pensai: este é o momento! Este é o momento certo, o momento oportuno. Um Ato de Contrição bem feito, e assim a nossa alma tornar-se-á branca como a neve.

Seria bom se hoje ecoasse nos nossos ouvidos esta frase: “Volta para o teu pai, volta para o teu pai”. Ele espera-te e fará uma festa para ti.

 



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