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PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA DOMUS SANCTAE MARTHAE

Duas condições

Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

 

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 39 de 25 de Setembro de 2014

A Palavra de Deus não é «uma banda desenhada» para ler, mas um ensinamento que deve ser ouvido com o coração e posto em prática na vida diária. Um compromisso acessível a todos, pois não obstante «a tenhamos complicado um pouco», a vida cristã é «muito simples»: de facto «ouvir a palavra de Deus e pô-la em prática» são as únicas duas «condições» impostas por Jesus a quem o quer seguir.

Ao celebrar a missa, o Pontífice reflectiu em particular sobre o trecho do Evangelho de Lucas (8, 19-21) no qual se narra sobre a mãe e os irmãos de Jesus que não conseguem «aproximar-se dele por causa da multidão». O bispo de Roma frisou que entre os muitos que o seguiam havia pessoas que reconheciam nele «uma autoridade nova, um modo de falar novo», sentiam «a força da salvação» que ele oferecia. «Era o Espírito Santo — comentou a este propósito — que comovia o coração deles». Mas, frisou, no meio da multidão havia pessoas que seguiam Jesus com segundas intenções. Algumas «por conveniência», outras talvez pela «vontade de ser melhores». Quase «como nós», disse actualizando o discurso. Uma história que se repete, dado que desde então Jesus já repreendia quem o seguia. Foi o que aconteceu, por exemplo, depois da multiplicação dos pães; ou com os dez leprosos, dos quais só um voltou para lhe agradecer, enquanto «os outros nove ficaram felizes com o restabelecimento da sua saúde e esqueceram Jesus».

O Pontífice exortou a «ouvir a palavra, verdadeiramente, na Bíblia e no Evangelho», meditando as Escrituras para pôr em prática os seus conteúdos na vida diária. Mas, esclareceu, se folhearmos o Evangelho superficialmente então «isto não é ouvir a palavra de Deus: é ler a palavra de Deus, como se lê uma banda desenhada». Entretanto, ouvir a palavra de Deus «é ler» e questionar-se: «Mas o que diz isto ao meu coração? Que quer dizer-me Deus com esta palavra?». Com efeito, só assim «a nossa vida muda». E acrescentou, «Deus não fala só a todos mas a cada um de nós. O Evangelho foi escrito para cada um de nós».

Certamente, reconheceu Francisco, «é mais fácil viver tranquilamente sem se preocupar com as exigências da palavra de Deus». Os mandamentos «são precisamente o modo de pôr em prática» a palavra do Senhor. E o mesmo é válido para as bem-aventuranças, indicadas no capítulo 25 do Evangelho de Mateus. E concluiu: também hoje, Jesus continua a acolher todos «até os que vão ouvir a palavra de Deus e depois a atraiçoam» como Judas que o chamou «amigo». O Senhor, afirmou o Pontífice, «semeia sempre a sua palavra» e «em troca pede só um coração aberto para a escutar e boa vontade para a pôr em prática».

 


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