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PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA DOMUS SANCTAE MARTHAE

Quatro modelos de crente

 

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 03 de 16 de Janeiro de 2014

As pessoas seguem quem ensina como Jesus, o qual traz consigo a novidade da Palavra de Deus, o seu amor. E não quem — leigo, cristão, sacerdote ou bispo — é corrupto e tem um coração corrompido. O Papa Francisco voltou a falar sobre o testemunho de fé que devem oferecer quantos, sobretudo em virtude da sua missão, são chamados a transmiti-la ao povo de Deus. E durante a homilia da missa celebrada na manhã de terça-feira 14 de Janeiro, na capela de Santa Marta, repetiu que não existe outro caminho além do ensinado por Cristo.

A este ensinamento fazem referência as duas leituras propostas pela liturgia, tiradas do primeiro livro de Samuel (1, 9-20) e do Evangelho de Marcos (1, 21b-28). Nelas, observou o Pontífice, estão descritos «quatro modelos de crentes pregadores: Jesus, os escribas, o sacerdote Eli, e depois dele — não é explícito, mas estão — os dois filhos de Eli, sacerdotes».

«Peçamos ao Senhor — concluiu o Papa Francisco — que estas duas leituras nos ajudem na nossa vida de cristãos», para que cada um, no papel que é chamado a desempenhar na missão da Igreja, não seja simplesmente legalista, puro, mas hipócrita como os escribas e os fariseus. O Pontífice exortou a que «não sejamos corruptos como os filhos de Eli; nem tíbios como Eli; mas a que sejamos como Jesus, com o zelo de procurar, curar e amar as pessoas».

Na missa de segunda-feira, 13 de Janeiro o Papa reflectiu sobre o caminho que Deus prepara para cada homem. Fá-lo com amor: um «amor artesanal», porque o prepara pessoalmente para cada um. E está pronto para intervir todas as vezes que se deve corrigir este caminho, exactamente como fazem as mães e os pais.

«Preparar os caminhos, e também as nossas vidas, é próprio de Deus, do amor de Deus por cada um de nós», explicou o bispo de Roma. «Ele — prosseguiu — não nos faz cristãos por geração espontânea. Ele prepara a nossa estrada, a nossa vida, desde sempre». E referindo-se à página evangélica, acrescentou: «Parece que Simão, André, Tiago e João foram aqui definitivamente eleitos»; mas isto não significa que a partir deste momento se tenham tornado «definitivamente fiéis». Na realidade, eles cometem erros: fazem propostas «não cristãs ao Senhor», de facto, negam-no. E Pedro mais do que os outros. Assustaram-se, explicou o Pontífice, e «foram embora, abandonaram o Senhor».

Na mesma genealogia de Jesus, recordou, estão «os pecadores e as pecadoras. Mas como o Senhor fez? Agiu, corrigiu o caminho, regulou todas as coisas. Pensemos no grande David, grande pecador e depois grande santo. O Senhor sabe. Quando o Senhor nos diz: amei-te com amor eterno, refere-se a isto. Desde há muitas gerações o Senhor pensou “em nós”». E deste modo acompanha-nos, experimentando os nossos mesmos sentimentos quando a pessoa se casa, quando está à espera de um filho: em cada momento da nossa história «espera-nos e acompanha-nos».

«Este — afirmou o Pontífice — é o amor eterno do Senhor. Eterno mas concreto. Um amor artesanal porque ele faz a história e prepara o caminho para cada um de nós. E este é o amor de Deus». «Rezemos — foi a sua exortação conclusiva — pedindo esta graça de compreender o amor de Deus. Mas nunca o compreendemos, não é? Sentimos, choramos, mas não o entendemos. Também isto nos diz como é grande este amor».

Na missa celebrada na manhã de sábado, 11 de Janeiro, o Papa Francisco usando palavras fortes, e dirigindo-se directamente aos sacerdotes, propôs que fizessem um verdadeiro exame de consciência, relançando o valor autêntico da sua unção e vocação. É «a relação com Jesus Cristo» que salva o sacerdote da tentação da mundanidade, do risco de se tornar «untuoso» em vez se ser «ungido», devido à afectação e à idolatria «do deus Narciso». Com efeito, o sacerdote pode até «perder tudo na vida», mas não o seu vínculo profundo com o Senhor, de outro modo nada mais teria a dar ao povo.

A missa de sexta-feira, 10 de Janeiro, foi centrada na oração do cristão. O cristão não repete o Credo de cor como um papagaio e não vive como um eterno «derrotado», mas confessa a sua fé integramente e tem a capacidade de adorar a Deus, levantando assim o termómetro da vida da Igreja. Para o Papa Francisco «confessar e confiar-nos» são duas palavras-chave que alimentam e reforçam a atitude de quem crê, porque «a nossa fé é a vitória que venceu o mundo» como escreve o apóstolo João na sua primeira carta.

«Para permanecer no Senhor, para permanecer no amor — repetiu — é necessário o Espírito Santo, da parte de Deus. Mas da nossa parte: confessar a fé que é um dom e confiar-nos ao Senhor Jesus para adorar, louvar e sermos pessoas de esperança». O Papa Francisco concluiu a homilia com o pedido de que «o Senhor nos faça compreender e viver esta bonita frase» do apóstolo João apresentada pela liturgia: «E foi esta a vitória que venceu o mundo: a nossa fé».

O Papa Francisco, na missa celebrada na quinta-feira 9 de Janeiro, indicou na pessoa de Jesus Cristo, Verbo de Deus que se fez homem, o único fundamento do amor verdadeiro. O verdadeiro amor não é o das telenovelas. Não é feito de ilusões. O amor verdadeiro é concreto, aposta nos factos e não em palavras; no dar e não na busca de vantagens. A receita espiritual para viver o amor profundamente está no verbo «permanecer», um «permanecer duplo: nós em Deus e Deus em nós». Esta é a verdade, disse, «a chave para a vida cristã», «o critério» do amor.

«Quem permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele» escreve João que, afirmou o Papa, nos diz praticamente como «este permanecer é o mesmo que permanecer no amor». E é «bom poder ouvir isto sobre o amor!», acrescentou, contudo advertindo: «Prestai atenção: o amor sobre o qual João fala não é o das telenovelas! Não, é outra coisa!». De facto, explicou o Pontífice, «o amor cristão possui sempre uma qualidade: ser concreto. O amor cristão é concreto. O próprio Jesus, quando fala do amor, fala-nos de situações concretas: dar de comer aos famintos, visitar os doentes». São «situações concretas» porque justamente «o amor é concreto». É «a essência cristã».

 



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